Nesta época do ano é comum meus amigos viajarem e reencontrarem seus primos, colegas de infância etc. Um deles, pensou em levar para um primo que tem problema no pé, umas botas sem costura que achou por aí. Mas ao mesmo tempo, surgiu um problema “se eu levar para um, tenho que levar para todos, se não vai dar briga”. Ora, isso é até ofensivo para os outros primos. Considerar que somos feitos de inveja deste jeito. Que não conseguimos entender que o presente foi dado numa esperança de melhorar o problema de saúde do outro e não numa demonstração de preferência. E ainda que fosse, qual o problema de não sermos os preferidos se ainda somos amados de tantas formas diferentes? E para quem presenteia isso se torna uma escravidão da inveja alheia (se ela existir). Vamos nos pautar pelo que há de pior no ser humano? Presentes, de uma forma geral, são gestos simbólicos. Principalmente nestas épocas do ano em que nos é quase imposto comprar “lembrancinhas” para todo mundo. Para reduzir o impacto desta fase sem nadar contra a maré são muitas as soluções criativas para isso: amigo oculto de talentos, presentes de coisas usadas e segunda mão, estar presente como presente, cartas, livros lidos, presente de experiências e presentes realmente necessários. Também é indicado dar preferência para o mercado local e o pequeno produtor.

🇬🇧 At this time of the year my friends travel and meet their cousins, childhood friends etc. One of them, thought of buying to a cousin who has foot trouble, some seamless boots he found out there. At the same time, a problem started “if I give it, I have to take give one for each cousin, or they are going to fight.” This is even offensive to the other cousins. Consider that they are made of envy this way. That they can not understand that the gift was given to help the health problem of the other and not in a demonstration of preference. And yet, what is the problem of not being preferred if we are still loved in so many different ways? And for the gifting guy, the last thing he needs is to become an slave of others envy (if true). Are we going to guide ourselves by what is worse in human being? Gifts, in general, are symbolic gestures. Especially in these times when we are almost forced to buy “souvenirs” for everyone. To reduce the impact of this without being a pain we can find many creative solutions to this: gift of talents, gifts of used and second hand things, a gift about being present, gift letters, gift read books, gift experiences and what my friend is practicing: a really needed gift. It is also ideal to give preference to the local market and the small producer!

giftaix

PS. Este texto foi escrito para meu projeto @Lawsumerism no instagram e facebook.